O programa Pé-de-Meia consolidou-se como peça-chave na política de permanência escolar em Pernambuco. Dados da Secretaria de Educação do Estado (SEE) apontam que 232.264 estudantes da rede estadual de ensino regular tornaram-se elegíveis ao benefício em 2025. O número supera o registrado no ano anterior, quando 228.089 jovens preenchiam os critérios.
Enquanto o programa ganha escala, os entraves burocráticos perdem espaço. A SEE registrou queda expressiva no número de estudantes não elegíveis e naqueles com situação cadastral indefinida. Para a Secretaria, esse movimento reflete a melhoria na atualização e na regularização das informações escolares. O crescimento mais expressivo ocorreu na Educação de Jovens e Adultos (EJA): o total de alunos elegíveis saltou de 8.301 para 24.832.
Paralelamente, os números consolidados pelo Ministério da Educação (MEC) escancaram a dimensão do programa no estado. Em 2025, 275,1 mil pernambucanos vinculados às redes públicas passaram a receber o auxílio, o equivalente a 71,8% do total de estudantes. A taxa de abandono no ensino médio, que rondava os 0,9% em 2023, recuou para 0,8% no primeiro ano completo da política.
A nova rotina de quem não precisou desistir
Diante desse cenário, histórias como a do estudante Mateus Felipe Vicente, aos 17 anos e prestes a concluir o ensino médio na rede estadual, o jovem aprendeu na própria rotina o peso de escolhas impostas pela necessidade. Antes do benefício, equilibrava os cadernos com o expediente aos finais de semana em uma lanchonete. O dinheiro extra aliviava o orçamento de casa, mas custava caro à sua disposição para aprender. “Pedia pra sair mais cedo da escola para ir trabalhar e, quando chegava em casa, não conseguia estudar”, lembra.
Hoje, o Pé-de-Meia reconfigurou essa equação. O valor depositado mensalmente tornou-se uma base. “Ajuda a colocar alimento dentro de casa e, quando sobra, compro coisas que fazem falta no dia a dia”, explicou o estudante. Mais do que o reforço financeiro, Mateus destaca o impacto do programa. “Não precisei mais trabalhar nos fins de semana. Consigo descansar, ter uma semana produtiva e focar de verdade nos estudos”. A exigência de frequência, longe de soar como contrapartida burocrática, transformou-se em estímulo silencioso: “Me sinto mais responsável, mais motivado”, destacou Mateus Felipe.
Como funciona o Pé-de-Meia?
O Pé-de-Meia funciona como uma poupança destinada a estudantes de baixa renda matriculados no ensino médio público e inscritos no CadÚnico. O modelo combina incentivos imediatos e de longo prazo. Alunos do ensino regular recebem R$ 200 mensais por comprovação de matrícula e frequência, valores que podem ser sacados a qualquer momento. Já os estudantes da EJA têm direito a R$ 200 pela matrícula e mais R$ 225 mensais por frequência, também disponíveis para saque.
Há ainda o componente de longo prazo. A cada ano concluído, o estudante recebe R$ 1.000, depositados em poupança e liberados apenas após a formatura. Aqueles que participam do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), somam mais R$ 200 ao montante. Ao fim do ciclo, o aluno pode acumular até R$ 9,2 mil. Mais que um valor, uma reserva de possibilidades.
Por fim, cabe às redes ofertantes do ensino médio – federais, estaduais, distritais ou municipais – a missão de alimentar o sistema do MEC com dados atualizados. Assim, a partir desse fluxo de informações, o Ministério define o público elegível, monitora o cumprimento das condicionalidades e autoriza os repasses. Por fim, a Caixa Econômica Federal entra na engrenagem para abrir as contas e operacionalizar os pagamentos. Na ponta, o estudante acompanha tudo por uma página de consulta on-line.
Com Imagem de: Marcelo Camargo/Agência Brasil




0 comentários:
Postar um comentário