Eduardo Campos tenta se consolidar como “terceira via” na eleição presidencial de outubro próximo com um duro discurso de oposição a Dilma Rousseff, cuja popularidade está em baixa. Já a havia chamado de “madrinha da inflação”, e outras coisas mais, e agora passou a dizer que a presidente vai entregar o país ao seu sucessor em pior situação do que recebeu, sendo caso único nos últimos 25 anos. Itamar Franco, disse ele, entregou a FHC um país mais arrumado do que aquele que recebera de Fernando Collor, que por sua vez entregou a Lula um país menos problemático do que o que lhe foi entregue pelo antecessor.
O petista, por sua vez, entregou o país a Dilma com menos problemas do que aqueles que lhe foram repassados por FHC e a atual presidente vai entregá-lo ao sucessor, ainda que seja ela própria, bem mais vulnerável do que o que recebeu de Lula. Não se sabe ainda se esse discurso vai colar, mas é uma tentativa a mais.
A paz restabelecida
Um abraço de Eduardo Campos em Inocêncio Oliveira (PR) antes da convenção da Frente Popular os reaproximou na atual campanha. O deputado ficou magoado por ter sido chamado pelo ex-governador de “velha raposa” num programa de televisão e ameaçou aderir a Armando Monteiro (PTB). Conseguiram acalmá-lo o candidato Paulo Câmara (PSB), o ex-diretor do Porto do Recife, Rogério Leão e os deputados Sebastião Oliveira e Alberto Feitosa (PR).
Convenção – O PR fará na próxima quinta a convenção que oficializará o seu apoio à chapa majoritária da Frente Popular. Até lá persiste a dúvida sobre se Inocêncio Oliveira será ou não candidato à reeleição (11º mandato). Ele já anunciou mais de uma vez que não pretende mais se candidatar. Mas na última 6ª confidenciou a alguns amigos que pode reconsiderar esta decisão.
Claque – Dos candidatos a deputado pelo PSB, quem mais levou gente à convenção de Paulo Câmara foi Marinaldo Rosendo, ex-prefeito de Timbaúba e aliado de Guilherme Uchoa (PDT).
Renúncia – O vereador Tinoco Valpassos (PSB-Paulista) desistiu da candidatura a deputado estadual. O prefeito Júnior Matuto (PSB), que iria apoiá-lo, fechou com Aluísio Lessa (PSB).
Poesia – O poeta Antonio Marinho foi uma atração à parte na convenção da Frente Popular. Fez uma saudação em versos aos candidatos Paulo Câmara, Marina Silva e Eduardo Campos.
Medo – Do deputado tucano Antonio Moraes, ontem, na Assembleia Legislativa, após uma bem sucedida cirurgia de vesícula: “Paulo Câmara (PSB) é forte candidato, com apoio de 21 partidos, mas o que faz medo é a consistência de Armando Monteiro (PTB) no interior”.
Religião – Marina Silva (PSB) sempre fez questão de não misturar política com religião. Mas na convenção da Frente Popular começou seu discurso de saudação a Paulo Câmara (PSB) com essas palavras: “Eu quero inicialmente agradecer a Deus por estarmos aqui”. Tem fé e assume.
Exceção – Embora o branco seja a cor oficial da Frente Popular desde a segunda campanha de Eduardo Campos (PSB) ao governo estadual em 2010, a deputada Raquel Lyra (PSB), filha do governador João Lyra Neto, permanece fiel ao vermelho. Era a única pessoa trajando essa cor no palanque da convenção de Paulo Câmara (PSB), domingo passado, no Clube Português.
Recibo – O deputado-pastor Francisco Eurico (PSB) foi um dos políticos mais cumprimentados na convenção da Frente Popular. Significa que absolveu bem a sua destituição da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal pelo líder da bancada, Beto Albuquerque (RS), por ter destratado Xuxa Meneghel numa audiência pública convocada para debater a “Lei da Palmada”.
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