Atendendo a um pedido do governador João Lyra Neto, a presidente Dilma Rousseff assinou um decreto na noite de ontem autorizando o emprego das Forças Armadas na manutenção da ordem pública do Estado de Pernambuco. Com a assinatura do decreto, as Forças Armadas poderão fazer policiamento ostensivo, realizar patrulhas, vistorias e prisões em flagrante.
O governador fez este pedido porque as negociações com os grevistas da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros não evoluíram nas últimas 48h. O movimento tem um forte componente político e eleitoral e isso dificulta as negociações. No oficialato, a greve é defendida pela tenente-coronel Conceição Antero, ex-mulher do comandante-geral da PM, coronel Carlos Pereira e, entre os praças, pelo soldado Joel Maurino.
O Governo do Estado atendeu a uma parte das 18 reivindicações da PM mas não teve como ceder na questão salarial por dois motivos: a) Lei de Responsabilidade Fiscal; b) Lei das Eleições. Se desse o aumento que eles pedem (30% para as praças e 50% para os oficiais), o Estado extrapolaria o limite de gastos fixado pela LRF com a folha de pessoal e estaria infringindo a Lei das Eleições.
O governador pediu também ao Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o envio da Força Nacional a Pernambuco, para evitar saques como o que ocorreu ontem à noite em Abreu e Lima, e ao presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Frederico Neves, a decretação da ilegalidade do movimento, uma vez que, pela Constituição, militar não pode fazer paralisação.
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