A ideia de República no Brasil do final do século XIX não era uniformizada. Intelectuais e atores políticos não chegavam ao consenso do pensamento que era discutido na época. Quando os militares ingressaram no poder em 1889 – ano da Proclamação da República -, poucos (ou quase nenhum deles) tinham ideia do que poderia vir.
“Muitos historiadores chamam a Proclamação da República como o primeiro golpe militar da história do País. E estes mesmo militares nem tinha a noção exata do que era a República. Mesmo com toda a movimentação política que acontecia naquela época cada um tinha noção diferente sobre a ideia de república. Benjamin Constant, Floriano Peixoto, Joaquim Nabuco, personagens importantes daquela época, tinham interpretações diferentes”, explicou o professor e historiador Diogo Barreto.
O novo sistema vigente no País também não era consenso para a população. Alguns acompanharam o bonde da história e ficaram curiosos com a nova realidade da época, estes entendiam que o acontecimento era importante, mas não sabiam como ingressar no movimento, já outros eram simpáticos ao imperador D. Pedro II e contestaram a sua saída do poder. “As pessoas também poderiam não entender esse processo porque Deodoro da Fonseca (primeiro presidente do País) era amigo pessoal de D. Pedro II , ele era visto como uma pessoa dúbia, e isso poderia refletir na opinião de algumas pessoas” relatou.
“Na verdade houve uma série de motivos para a Proclamação da República: O crescimento do poder econômico dos senhores de café do Estado de São Paulo que reivindicaram poderes políticos; o próprio espírito republicano por conta da segunda república francesa, a questão da Guerra da Secessão nos Estados Unidos. Os “ares” brasileiros já estavam repletos de ideias americanas e isso, entre outros motivos, levou a queda do imperador”, completou Barreto.
De acordo com o historiador, nos primeiros anos da República, os latifundiários tentaram afastar os militares do poder. “Eles (os militares) vão sair de cena aos poucos a partir da elaboração de uma nova constituição que deu muitos poderes ao legislativo. Criou-se o ministério de Guerra, e aos poucos os militares vão saindo do poder. Isso aconteceu no andamento da república velha”, relatou.
Para o cientista político Hely Ferreira, um dos atributos do sistema republicano brasileiro foi a maior participação da população na política. “A própria educação do Império era só para a elite. Com o passar dos anos as pessoas começaram a ter mais participação. Hoje as pessoas cobram muito mais dos políticos. Elas lutam pelos seus direitos e discutem a representação dos políticos”, disse o analista.
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